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A importância de ler livros clássicos e o que os faz serem reconhecidos como tal

  • Foto do escritor: cassianimotta
    cassianimotta
  • 28 de abr. de 2025
  • 3 min de leitura

Ler livros clássicos é essencial

A ideia de cultura clássica remonta aos tempos de Grécia e Roma Antigas, por volta de V aEC a VI aEC, quando filósofos e outros estudiosos observaram padrões conforme a origem da produção cultural. As obras da classe alta da sociedade, aquilo que fosse refinado era entendido como algo excelente em sua classe. Porém, entendemos que um período só é nomeado após o encerramento de cada era e o período da Antiguidade chamada clássica só viria a ser reconhecida como tal séculos depois. Com o Romantismo, clássico torna-se a definição daquilo que, além de ser de primeira classe, também é próprio dos antigos.  


Neste curto resumo da origem do termo, percebe-se logo a separação daquilo que é considerado cultura elevada e o que é das classes baixas da sociedade. Infelizmente, ainda convivemos com muitos preconceitos sobre aquilo que é popular, uma perda para aqueles que deixam de conhecer verdadeiros clássicos modernos. Sabendo que a língua é viva, se transforma com o tempo, é fácil de entender que esse conceito  tornou-se mais abrangente, envolvendo também outras ideias que fazem sentido para definir um texto como clássico.


Os textos antigos são respeitados, reconhecidos como fonte de inspiração para novos escritores e sendo até mesmo imitados. O grande destaque para os clássicos é justamente usar a norma, o padrão e fugir disto. Os grandes clássicos não o seriam se não houvesse uma diferenciação notória que os tornasse singulares. Logo, podemos compreender que, sendo referência para a criação de algo novo, estes mesmos são anticlássicos ao desobedecerem os critérios e normas do classicismo. 


Para ser clássica no sentido da imortalidade, a obra deveria ser anticlássica no sentido da cega obediência a critérios externos a ela. - Pedro Duarte de Andrade, professor IFCS/UFRJ e PUC-Rio

Analisando obras literárias de diferentes períodos, podemos apontar algumas características que as tornam clássicas.


A atemporalidade faz com que estes textos conversem com os dias atuais, independente da época, é possível relacionar os personagens e suas vivências com o que estamos acostumados a viver no presente. É aquela leitura que, mesmo tendo sido escrita há 200 anos, pode ser relida e continua enriquecendo nosso repertório, não tem prazo de validade. 


Nestas obras observa-se também um padrão de ruptura. Para uma obra se tornar clássica é romper com certas normas, fugir de regras e trazer algo inovador. É justamente a capacidade de criar, ser novo e instigar novos olhares sobre nossa realidade.


Livros clássicos são capazes de influenciar outros escritores, inspirando-os a inovar e criar novos clássicos. Um bom escritor também bebe da fonte dos clássicos, procurando em obras anteriores conhecimento de grandes nomes que revolucionaram a literatura. Quanto aos leitores em geral, seu impacto é capaz de provocar reflexões,  autoconhecimento, gerar discussões e desafiar nossa mente, tanto na história quanto na linguagem, tirando o leitor da zona de conforto. 


Era por ser diferente, e não por ser igual, que uma obra se tornaria grande e, paradoxalmente, clássica. - Pedro Duarte de Andrade, professor IFCS/UFRJ e PUC-Rio

Além dessas características, os clássicos são elevados a essa condição de forma coletiva, não basta um indivíduo para definir algo assim. Ao mesmo tempo, é importante reforçar que clássicos modernos também existem, obras que ao serem lançadas impactaram o mercado literário, levantando polêmicas com os temas abordados e linguagem apresentada. Só o tempo poderá confirmar esse reconhecimento, mas obras como O Avesso da Pele e Torto Arado, por exemplo, podem ser indicados como possíveis clássicos.


Longe de desprezar qualquer obra, é importante que o leitor tenha um contato mais íntimo com clássicos, mesmo que, inicialmente, isso ocorra através de adaptações. Como dito anteriormente, diferentes épocas podem produzir obras de alta qualidade, mas não só isso; diferente do que muitos acreditam, elas surgem em todos os espaços e, exatamente por romper com as normas vigentes é que se tornam tão especiais, afastando-se das ideias elitistas que proclamam o clássico como produto feito por e para as classes dominantes. Mesmo sendo um pensamento comum, é urgente que seja superado em favor do desenvolvimento intelectual igualitário entre todas as camadas sociais. 


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