Conhecendo o cosplay com cosplayers
- cassianimotta

- 30 de mai. de 2025
- 12 min de leitura
Você já leu o post anterior, contando sobre a origem do cosplay? Se não, pode ler clicando aqui. Nada melhor do que conhecer mais sobre algo com pessoas que já estão envolvidas no meio. Então, hora de ir conhecendo o cosplay com cosplayers! Hoje compartilho com vocês uma conversa que tive com quatro artistas incríveis.
Cosplay é um hobby bastante popular e há mesmo quem se dedique como trabalho. Por ser algo que surge principalmente da afetividade, mesmo aqueles que trabalham com isso, costumam se manter dentro dos grupos de fãs que compartilham dos mesmos interesses.
É interessante observar, também, como muitas pautas importantes são discutidas no meio; questões étnicorraciais, respeito às diferenças e tolerância são temas comumente debatidos para que se crie uma comunidade gentil, abraçando todos aqueles que querem demonstrar seu carinho por personagens especiais.
Nathália M. S. Casalecchi
O que te motivou a começar no mundo do cosplay?
Sempre gostei de brincar de me fantasiar quando criança, minha avó era costureira e fazia várias fantasias para mim. Eu gostava de brincar de costurar com ela, e quando conheci o cosplay, sabia que queria fazer meus próprios trajes. Meu objetivo sempre foi recriar meus personagens favoritos da melhor forma possível.

Como você escolhe os personagens que irá interpretar?
Normalmente, escolho personagens que eu conheço e gosto, que tenho algum tipo de afinidade, seja visual ou pela personalidade. Mas não vejo problema em fazer cosplay de um personagem apenas por ser bonito, às vezes é pelo visual que vamos atrás da mídia e conhecemos uma história incrível.
Quais materiais e técnicas você mais utiliza na criação dos seus cosplays?
Acabei me especializando na parte de costura, gosto de usar tecidos finos e de qualidade, para transmitir o máximo de realidade para um traje. Também prezo pela durabilidade, já que não é um hobby barato no nosso país. Utilizo muito a técnica da moulage para modelagem, pois com ela consigo acertar as medidas sem tantos cálculos matemáticos. É uma técnica muito intuitiva. Acredito que o cosplay é a arte de trazer para o mundo real um traje que não existe aqui, ainda. Essa é a parte mágica do nosso hobby.
Quais são os principais desafios na criação de acessórios e trajes?
Trazer para o mundo real um traje que não existe é maravilhoso, mas tem seus desafios. Adaptações de vestibilidade e mobilidade, materiais reais, que forneçam a aparência similar ao original, porém com capacidade de uso, com certeza são as partes que mais me fazem investir tempo em um projeto.
Inserir

De que forma o cosplay influenciou sua vida pessoal ou profissional?
Quando comecei no hobby, não tínhamos a visibilidade q temos hoje. Então não era viável ter o cosplay como uma profissão. Contudo, com a evolução das mídias sociais, o hobby acabou ganhando mais conhecimento e adeptos. O cosplay é minha grande paixão, além de passear em eventos, fazer ensaios fotográficos e competir em concursos, eu abri meu próprio ateliê como cosmaker. Sempre foi uma alegria imensa ajudar as pessoas a realizar seus sonhos de cosplay, com a mesma qualidade e amor que realizo os meus. Atualmente não estou trabalhando mais com encomendas, mas planejo voltar em breve.
Que conselhos você daria para quem está começando no cosplay?
Invistam sempre em aprender. Novas técnicas, novas ideias, o hobby do cosplay é pra ser compartilhado com outras pessoas, para que haja essa troca de conhecimento tao rica da nossa comunidade. Não se foquem em números de redes sociais, porque eles não significam nada na vida real. Curtidas e seguidores não garantem qualidade. E não esqueçam de se divertir, o -play é sobre isso.
Veron Cosplay

O que te motivou a começar no mundo do cosplay?
Desde criança sempre gostei muito do mundo do cinema, desenhos animados, todo esse mundo fictício, e brincava de ser meus personagens favoritos, mas não fazia ideia desse mundo cosplayer. Quando descobri, fiquei realizada, e ali decidi o que eu gostava de fazer: ser meus personagens favoritos!
Qual foi o seu primeiro cosplay e como foi essa experiência?
Em 2015, há 10 anos, foi quando fiz meu primeiro cosplay, da Jessica Jones (Marvel). A experiência foi incrível, a série havia estreado há uma semana, e lá estava eu na CCXP (meu primeiro evento) com o cosplay dela. Eu era a única com cosplay da personagem, acho que isso fez a experiência ser mais incrível ainda, eu tinha “toda a atenção” dos fãs da série hahahah foi muito divertido!
Como você escolhe os personagens que irá interpretar?
Sempre escolho os personagens que eu gosto muito, geralmente os da minha infância, pois são os mais marcantes pra mim e fazem parte da minha vida há anos. Além de eu amar personagens nostálgicos! Mas também faço personagens mais atuais, se me identifico ou se eles me chamam muito a atenção.

Qual foi o cosplay mais desafiador que você já fez e por quê?
Com certeza foi o da Mulher Gavião. Pois foi o cosplay que eu mais coloquei a mão na massa. Sempre tenho pouca participação na confecção dos meus cosplays, a maioria faço uma coisa ou outra nele. Mas esse eu fiz todos os props e a bota, então mesmo parecendo simples pra muita gente, pra mim foi um desafio sim.
Como é a interação com o público e outros cosplayers nesses encontros?
Na minha experiência sempre é muito bom! Nunca tive problemas com outros cosplayers ou público em geral, sempre fui e sou muito bem recebida nos eventos. Sou muito grata por isso, me sinto muito sortuda, pois, infelizmente, sempre vemos por aí algumas histórias de experiências ruins.
De que forma o cosplay influenciou sua vida pessoal ou profissional?
O cosplay influenciou muito na minha vida pessoal. Graças ao cosplay, eu me tornei uma pessoa muito mais sociável, eu deixei de ser tímida, eu tinha medo de conversar com as pessoas, de sair em público, de fazer muita coisa… mas enfim, o cosplay me transformou completamente pra melhor, hoje sou uma pessoa muito diferente de quando eu não fazia cosplay. Na vida profissional, digo que influencia muito sim, pois deixou de ser hobby e atualmente é um dos meus trabalhos. E eu adoro isso!
Lolla
Qual foi o seu primeiro cosplay e como foi essa experiência?

A primeira pergunta sempre é mais difícil de responder pra mim porque eu não sei definir o que foi o meu primeiro cosplay é a primeira vez que eu me fantasiei na vida, eu tinha 11 anos eu fiz o meu vestido de aurora com TNT eu fiz a minha coroa no colar com papel metálico dourado eu fiz o sapato com EVA e eu não conhecia a palavra cosplay, mas eu já fiz tudo isso com o conceito de cosplay na minha cabeça porque eu queria fazer o mais parecido possível com o personagem, eu queria fazer as fotos com poses iguais ao personagem, eu queria agir como o personagem enquanto eu estivesse fantasiada, eu não fiz isso pra ir numa festa fantasia, eu não fiz isso com qualquer outro motivo predeterminado, eu simplesmente queria me vestir como personagem. Então eu já tinha o conceito de cosplay sem saber. Entender o que era cosplay. Então, para mim, eu considero esse meu primeiro cosplay, mas tem gente que acha que não é válido, sabe?
Como é a interação com o público e outros cosplayers nos eventos?
A segunda é sobre interação, com o público meio que depende, no geral é sempre uma interação boa, mas principalmente quando é um personagem mais popular, quando o pessoal reconhece mais e vem interagir mais. Então quando é um personagem que a grande massa não conhece, a gente meio que passa despercebido, então é como se não tivesse essa interação. Mas com os outros cosplayers é sempre legal, porque dentro da comunidade a gente meio que reconhece mais ou trabalha um no outro.
Qual foi o cosplay mais desafiador que você já fez e por quê?
Cosplay mais desafiador que eu fiz eu acredito que foi a Operetta por ser um cosplay com mais detalhes, por ser o primeiro cosplay que eu fiz que eu tinha que pintar a pele com cor fantasia, por ter alguns props porque eu não costumo fazer cosplays com props, sempre um cosplay mais trabalhado na roupa então a Operetta tinha mais detalhes com as coisas que eu não estava acostumada a fazer então ele foi desafiador tanto na confecção quanto na hora de usar porque eu tava andando de salto eu tava com a pele pintada tinha que tomar cuidado para não manchar minha roupa com a minha própria pele acho que foi isso assim pelo que eu me lembro foi isso.
Como você começou a trabalhar como cosmaker?
Eu comecei a trabalhar como cosmaker basicamente por causa da pandemia, eu já fazia os meus próprios cosplays há muito tempo, mas eu comecei a fazer disso uma fonte de renda depois que eu fui demitida do meu emprego da época. E eu também percebi nessa época que o cosplay estava ganhando muito mais adeptos, eu acredito que a função da pandemia e das pessoas viverem mais pela internet do que pela vida real, muita gente começou a fazer cosplay nessa época, então eu percebi que tinha público que eu podia trabalhar com isso. Então aí que eu comecei a fazer como fonte de renda.
De que forma o cosplay influenciou sua vida pessoal ou profissional?
Sobre ter influenciado, influenciou em tudo né, porque influenciou na minha vida pessoal Basicamente por minhas amizades serem todas desse meio E profissional porque se tornou minha profissão, então tipo Meio que o cosplay fez, eu sei quem eu sou Sem o cosplay eu não tenho a menor ideia do que eu estaria fazendo da vida hoje em dia, nem na vida pessoal, nem na vida profissional.

Que conselhos você daria para quem está começando no cosplay?
E os conselhos, tipo, meio que são, meio que é clichê o que eu vou dizer, mas eu sempre digo para a pessoa começar por amor, não começar, tipo, ai eu tenho que ser o melhor, ai eu tenho que ganhar concurso, aí eu tenho que ter seguidor, não. Aí nem começa. Em tudo que a gente faz na vida, a gente começa de baixo e no cosplay não é diferente. Começa a fazer cosplay porque tu gosta muito de um personagem e tu quer se ver como aquele personagem. E também mesmo se teu personagem preferido for extremamente mirabolante, não começa por ele, começa por um mais simples, sempre. A gente tem que começar com calma e evoluindo aos poucos, sempre.
Lita Oliveira
O que te motivou a começar no mundo do cosplay?

Eu não sabia muito bem o que era cosplay, no início. Eu comecei a fazer cosplay, ali pelos meus 12, 13 anos. Tive uma professora que fazia cosplay e ela ia para eventos. A primeira vez que eu fui em um evento, eu fui com ela. Ela falou de cosplay, eu via em revistas de anime, mas eu não pensava em fazer. Era algo muito distante para mim. Aí ela dizia que ia fazer cosplay de Samurai X com os amigos. Como eu era muito novinha, eu pensei em fazer um kimono, só que como era muito nova, não tinha conhecimento. Foi um kimono meio estranho, de loja de fantasia. Fui em um evento pela primeira vez em 2003 e aí eu comecei, gostei das salas de anime… Aqui onde eu moro, os eventos eram bem pequenos, não tinha nem concursos cosplay, era só basicamente sala de exibição, as pessoas se encontrando e tirando fotos, e foi assim que eu comecei a me interessar a ir para os eventos. Cosplay mesmo, eu só comecei a fazer no ano seguinte, que foi em 2004, que eu fiz a Sakura de Naruto. Aí o evento já era um outro evento maior, tinha concurso, tinha mais coisas para fazer e aí foi aí que eu realmente tomei gosto de fazer cosplay.
Qual foi o seu primeiro cosplay e como foi essa experiência?
Meu primeiro cosplay foi da Sakura, de Naruto, que eu usei em evento e tirei foto. Mas tem aquelas fantasias que a gente faz na infância e eu era muito fã do Cavaleiro do Zodíaco. Meu avô adorava organizar festas, coisas de carnaval, então ele fez uma festa do Zodíaco pra mim e fez o vestido da Saori, com cajado, com todo o detalhamento, para uma criança de 5 anos. Infelizmente, eu não tenho fotos. Eu sei que se ele fosse vivo na época que eu comecei a fazer cosplay, ele seria o mais empolgado de fazer cosplay comigo.
Mas o primeiro cosplay mesmo, sabendo que é cosplay, foi em 2004, no Tadayama, de Sakura, mas na época eu não tinha os sapatos nem a peruca. A faixa, eu tinha costurado a roupa, eu levei pra costureira fazer a bermuda da Sakura, eu peguei a minha bermuda do colégio, vistei o avesso… Na época, a peruca era caríssima, mas no ano seguinte, 2005, eu consegui uma peruca rosa emprestada.
Teve alguém ou algum evento que te inspirou a entrar nesse universo?
Evento e pessoas em específico, acho que não. Mas eu sempre via pessoas, em geral, na internet, via fotos de eventos e sempre quis conhecer e aprender mais. Então, isso me fez meio que furar a bolha de morar numa cidade onde os eventos eram pequenos e acabava limitando certas coisas. Por exemplo, pegar o tecido mais barato em vez de escolher algo bonito, algo de melhor qualidade. Então, eu comecei a ter contato com pessoas de outros estados e fora do Brasil. Comecei a ter a visão de melhorar a qualidade dos cosplays. Fiz ótimos amigos no meio cosplay e por conta disso também tive a oportunidade de amigos me chamarem para eventos, facilitando até na estadia. Então, eu fui em vários eventos pelo Brasil, já fui a eventos fora do Brasil, em Portugal, França, e pude ver muitas realidades.
De que forma o cosplay influenciou sua vida pessoal ou profissional?
Eu tenho duas formações. Sou analista de sistemas e sou arquiteta e urbanista. Então, muita coisa sobre edição, manipulação de fotos, vídeos, foram facilitados no cosplay. E quanto à arquitetura, tem coisas de maquete que a gente aprende a fazer. Como eu já fazia cosplay, coisas que eu criava, foram úteis na hora de fazer maquete e vice-versa, como materiais de arquitetura, coisas que se usam para fazer. Consigo levar de mãos dadas a vida profissional e a vida de cosplayer, mesmo não sendo correlacionados, as habilidades de saber mexer com uma coisa ou outra ajuda muito e já me tirou de vários problemas. Saber lixar, por exemplo, pra finalizar prop e essas coisas em pintagem, me ajudou muito em casa, trabalhar em reboco, impermeabilizar, passar massa, pintar, porque segue a mesma ideia do cosplay, então uma coisa atrelou com a outra.
Você já enfrentou críticas ou preconceitos por ser cosplayer? Como lidou com isso?

Quanto à família, eu nunca tive problema com meus pais quanto a fazer cosplay, sempre me deram apoio e nunca reclamaram de nada, só diziam para eu fazer com meu próprio dinheiro. Fora isso, eu tive problemas, eu sou uma pessoa gorda, então eu já ouvi todo tipo de comentário sobre meu corpo a infância inteira, não só em relação a cosplay, mas como pessoa em si. Como cria dos anos 90, eu meio que estou calejada com isso, então já não me incomoda. No meio cosplay também já ouvi muitos comentários pejorativos, por exemplo, quando fiz cosplay de Merida a Merida que comeu os trigêmeos, muitos comentários desse tipo na internet. Não me incomoda porque sou bem resolvida com meu corpo, mas sei que gera problemas para outras pessoas, por exemplo, uma pessoa que está começando no hobby e que não tem o corpo padrão ou não tem a cor de pele do personagem, isso pode desanimar e afastar as pessoas. Comentários assim prejudicam bastante. Por isso, eu falo tanto sobre isso, faço posts focados na questão da gordofobia, pois sinto muito a falta de engajamento de pessoas gordas. Vejo eventos grandes convidando pessoas para trabalhar, dar palestras, concursos, lojas que chamam cosplayers, mas não vejo pessoas gordas nesses espaços a não ser que seja um personagem gordo. Mesmo que o cosplay esteja perfeito, lindo, maravilhoso, preferem alguém magro, mesmo que o cosplay em si não esteja tão bem feito. Isso é complicado e limita muito a visão do cosplayer gordo, diz a ele que mesmo que faça o seu melhor, não é suficiente. A gente vê que são poucos cosplayers gordos, sem contar aqueles que fazem cosplay sensual ou parceria com empresas grandes, que tenham um número maior de seguidores, as pessoas não querem ver pessoas gordas. Então não adianta falar sobre diversidade, respeito aos diferentes corpos, quando, na verdade, a prática é diferente. As pessoas querem ver pessoas magras. A gordofobia, racismo, é muito presente na comunidade cosplayer, mas é bem escondida por medo de cancelamentos, alguns são seletivos.
O que o cosplay representa para você em termos de expressão pessoal?
Como eu sou arquiteta, tenho regras, normas por conta do trabalho, então cosplay se tornou como uma válvula de escape para eu não precisar pensar em nada, me divertir, brincar, um brincar adulto de bonequinho de olhos grandes. Eu acho maravilhoso isso. E, por mais que a comunidade tenha seus problemas, ainda é acolhedor. Pessoas que têm problemas em fazer amizade e conhecem novas pessoas. Ver alguém com cosplay da série que você gosta e você vai falar com a pessoa, isso acaba facilitando fazer novos amigos, então pessoas tímidas acabam criando novos laços. Eu era muito tímida na infância, ainda sou, mas eu consegui superar muito parte da minha timidez fazendo cosplay, e aprendendo a interagir melhor com as pessoas.
Com tudo que foi dito aqui, pouco há a acrescentar. Muitas amizades são feitas nos eventos e habilidades são desenvolvidas através do cosplay. Logo se vê que o cosplay é um hobby diverso, envolvente e que, mesmo com algumas questões que podem ser melhoradas, envolve um mundo de diversão e aprendizado.
Gostou do conteúdo? Outras pessoas também podem gostar, compartilhe!
As falas aqui reproduzidas foram autorizadas pelas partes creditadas e não representam, necessariamente, os pontos de vista de quem escreve o blog. O post foi escrito como forma de entreter e informar., valorizando a diversidade de ideias e opiniões.










Comentários