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Mickey 17: Explorando a humanidade nas geleiras de Niflheim

  • Foto do escritor: cassianimotta
    cassianimotta
  • 13 de mar. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 18 de mar. de 2025

Em Mickey 17, a ficção científica se mistura à sátira política em um cenário gelado repleto de reviravoltas. Robert Pattinson lidera essa jornada gelada, onde cada recomeço carrega uma emoção única. Prepare-se para descobrir como, mesmo nos ambientes mais inóspitos, a humanidade encontra um jeito de brilhar.


Mickey 17, de Bong Joon-ho, chegou aos cinemas no início de março

Baseado no livro Mickey7, de Edward Ashton, publicado em 2022, o filme Mickey 17, antes previsto para abril, chegou aos cinemas brasileiros em 6 de março. O trailer está no final do post.


Fui ao cinema assistir Mickey 17 e saí completamente encantada. O filme, que mistura ficção científica, sátira política e uma dose surpreendente de comédia, nos leva a uma colônia gelada em Niflheim – um cenário que, por si só, já é uma obra de arte visual. Mas o que realmente se destaca é a atuação de Robert Pattinson, que encarna Mickey Barnes de forma arrebatadora. Bong Joon-ho, mestre das narrativas que espreitam as fissuras da condição humana, entrega uma obra que é ao mesmo tempo sátira política, uma comédia das relações humanas e uma discussão existencial. 


Robert Pattison atuou com ele mesmo em Mickey 17

Pattinson nos surpreende com uma performance cheia de nuances. Mesmo que seu personagem seja “apenas” um descartável, ele consegue trazer vulnerabilidade e uma pitada de ironia ao seu personagem, questionando e trabalhando a noção de humanidade. Cada clone morto e ressuscitado não é uma cópia, mas um eco de memórias fragmentadas. Seus olhares perdidos para o vazio do planeta, enquanto segura uma xícara de café sintético como se fosse um cálice sagrado, são um tratado sobre a arte de encontrar beleza no desespero. Cada gesto, cada olhar, carrega uma carga emocional e sua capacidade de mudar a postura, as expressões faciais conforme a personalidade de cada Mickey é de uma força absurda que encanta a quem assiste.

Reação da natureza em Mickey 17

Um dos pontos altos do filme é a conexão que Mickey estabelece com os animais do gelo. Em meio à frieza e ao rigor do ambiente de Niflheim, essas interações se tornam quase poéticas. Ver o protagonista trocar olhares e momentos de ternura com criaturas aparentemente improváveis, que parecem entender e compartilhar um sentimento de solidão e resistência, cria uma atmosfera única. Essa relação não só humaniza o personagem, mas também reforça a ideia de que, mesmo nos lugares mais inóspitos, a sensibilidade e a conexão com a natureza podem florescer de maneira surpreendente. Esses momentos são revolucionários. Em um mundo onde humanos são mercadorias, a conexão com o não humano se torna o último ato de rebeldia.


E não podemos deixar de falar da comédia. Mickey 17 equilibra habilmente momentos de tensão e humor, proporcionando risadas genuínas sem perder a profundidade da narrativa, entrelaçando o trágico com o cômico. Há cenas em que o humor sutil e inteligente se destaca – seja através de diálogos espirituosos ou situações inusitadas que, apesar do clima sério da missão, arrancam sorrisos e até algumas gargalhadas do público. Essa mistura inusitada de elementos faz com que o filme seja não apenas uma experiência visual e emocional, mas também um convite para refletir sobre a absurdidade da condição humana em meio a situações extremas. É humor que não alivia a tensão – a intensifica, mostrando que rir é, às vezes, o único jeito de não enlouquecer.

Mark Ruffalo é o deputado Kenneth Marshall em Mickey 17

É preciso destacar também a atuação de Mark Ruffalo como o deputado Kenneth Marshall, um deputado que, ao perder as duas últimas eleições, decide explorar as possibilidades da colonização de outro mundo. As frases de efeito que, muitas vezes, não dizem nada, servem para comover seus seguidores que são embalados por seus discursos, que são gritados como arte performática. A representação pitoresca do personagem, de forma até artificial, se torna especialmente interessante quando pensamos que na realidade temos políticos que agem de forma tão absurda que não parece real, vendendo  utopias intergalácticas enquanto ignoram a fome no presente.


Mickey 17  tem uma narrativa que se desenrola com um ritmo cuidadoso, dando espaço para que os momentos de humor e emoção se destaquem de maneira natural. A estética do filme, com seus cenários gelados e efeitos visuais impressionantes, cria um contraste fascinante com a fragilidade e a resiliência do personagem principal, interpretado com maestria por Pattinson.


A fotografia de Niflheim não é apenas gelo e escuridão. O branco da neve às vezes chega a brilhar sob a luz de um sol artificial. Em alguns closes, vemos a pele fustigada pela neve, as lágrimas que congelam antes de cair, o que constrói um visual sensível e duro. É uma beleza que não acolhe – constrange, porque nos lembra que até na aridez há vida insistindo em existir.

Mickey 17 com Robert Pattinson

Mickey 17 é uma viagem inesquecível que mistura ação, comédia, drama e uma pitada de crítica social. Robert Pattinson nos leva por um caminho repleto de reviravoltas emocionantes, enquanto a relação do protagonista com os animais do gelo traz uma sensibilidade que toca o coração. É sobre o que fazemos quando percebemos que somos peças substituíveis em uma máquina maior: resistimos. E resistir, aqui, tem a forma de um clone que protege um animal de gelo, de um riso que ecoa em uma câmara de hibernação, de um político sendo ridicularizado por sua própria ganância.

É um filme que nos desafia a olhar para além do óbvio, mostrando que até mesmo em meio à dureza do desconhecido, há espaço para o riso, a esperança e a humanidade.


Se você é fã de ficção científica que sabe equilibrar diferentes tons – do humor à reflexão – Mickey 17 é uma experiência que você não pode perder.

Assista ao trailer:


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