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Animes subestimados: 6 obras pouco conhecidas

Foto do escritor: cassianimotta
cassianimotta
27 de ago.
4 min de leitura

Todo mundo já ouviu falar de Naruto, de Attack on Titan, de Jujutsu Kaisen... Esses animes são gigantes por bons motivos, e não é deles que a gente vai falar hoje. Existe uma camada além do hype, obras que fizeram coisas ousadas, arriscadas, e que, mesmo assim, passaram quase despercebidas do grande público. Várias delas são citadas por críticos e por parte da comunidade como animes mais interessantes que alguns sucessos que todo mundo conhece. Escolhi seis animes subestimados para compartilhar com vocês.


Personagem de cabelo verde sentado em caverna, com expressão curiosa, cercado por rochas e cordas penduradas.

Kaiba (2008)

Quem julga Kaiba pela primeira imagem tende a passar reto. O traço é fofo, arredondado, quase infantil e essa é justamente a armadilha que faz o anime ser tão comentado por quem estuda o meio.

Dirigido por Masaaki Yuasa, um dos animadores mais criativos do Japão, Kaiba se passa num futuro onde memórias podem ser transferidas de um corpo para outro e a lembrança vira mercadoria. Os ricos compram corpos novos e vivem quase para sempre, enquanto os pobres têm as próprias memórias roubadas ou apagadas. O protagonista acorda sem lembrança nenhuma e com um buraco no peito, e sai por esse universo tentando descobrir quem é.

Por baixo do visual doce, a obra é lembrada como uma das reflexões mais profundas que o anime já propôs sobre identidade, desigualdade de classe e o que sobra de uma pessoa quando você tira dela as próprias memórias. É ficção científica no sentido mais nobre da palavra.


Três quadros de mangá: jogadores de beisebol tensos, com roupas escritas 海王 e 片瀬, em corredor cinza.

Ping Pong: The Animation (2014)

Esse costuma ser apontado como o anime capaz de conquistar até quem jura de pés juntos que odeia história de esporte. Também dirigido por Masaaki Yuasa, Ping Pong pega a estrutura mais batida que existe, o torneio esportivo, e faz o oposto de quase tudo que o gênero costuma fazer.

O traço é cru, esquisito, feio de propósito. As partidas de tênis de mesa não estão ali para serem bonitas, estão ali para revelar quem aquelas pessoas são por dentro, porque Ping Pong, no fundo é sobre talento, pressão, sobre o peso de ser bom em algo que você não tem certeza se ama. Sobre o que acontece com o garoto prodígio que descobre que sempre vai existir alguém melhor.


Estudantes de uniforme em sala ao ar livre, entre carteiras e quadro verde, com clima calmo e céu azul.

Sonny Boy (2021)

Sonny Boy estreou no mesmo ano de sucessos como Ranking of Kings e Odd Taxi, e acabou ofuscado por eles, é um caso clássico de obra original que chegou na hora errada para disputar atenção.

Um grupo de estudantes é transportado para dimensões vazias e surreais, onde alguns deles desenvolvem poderes estranhos, mas não se trata de uma história de ação com esses poderes. Sonny Boy é lento, contemplativo, às vezes confuso. Fala de adolescência, de pertencer ou não pertencer, do que uma pessoa faz quando o mundo conhecido some e ela precisa descobrir quem é sem nenhuma referência.

Dirigido por Shingo Natsume, o mesmo de One Punch Man, é elogiado pela direção de arte deslumbrante e pela coragem rara de não explicar tudo. É o tipo de obra que confia na inteligência de quem assiste, e talvez por isso mesmo tenha dividido opiniões.


Dois animais animados num carro: motorista morsa de boné vermelho e passageiro azul, ambos com expressão cansada à noite.

Odd Taxi (2021)

Um taxista morsa.

Odd Taxi é lembrado como um dos maiores golpes de narrativa que o anime deu na última década. Começa parecendo uma série de conversas comuns entre um motorista de táxi de fala mansa e seus passageiros, todos representados como animais e, aos poucos, quase sem o espectador perceber, essas conversas soltas se revelam peças de um thriller criminal absurdamente bem amarrado.

Cada personagem que parecia irrelevante se mostra uma engrenagem, cada diálogo casual esconde uma pista. É esse tipo de construção que faz a obra ser tão elogiada por quem valoriza roteiro e prova que animação para público adulto pode ter uma sofisticação de trama que muita série live action invejaria.


Homem branco de cabelo curto encara um homem na porta de uma cabana na floresta, em clima sereno e misterioso.

Mushishi (2005)

Mushishi é o anime perfeito para quando a vida está pesada e a pessoa precisa respirar.

A série acompanha Ginko, um homem que viaja por um Japão antigo e rural estudando os mushi, formas de vida primordiais que não são nem animais nem plantas, e que existem numa fronteira entre o natural e o sobrenatural. Cada episódio funciona quase como uma história independente, sobre uma comunidade ou uma pessoa que teve a vida tocada por um desses seres.

Não há grande vilão, batalha épica ou arco de poder. O anime tem uma beleza contemplativa, um respeito pela natureza e pelas pequenas tragédias humanas, e uma atmosfera que acalma e entristece ao mesmo tempo. É uma experiência mais poética.


Quatro guerreiros de anime em pose de combate diante de penhascos rochosos sob céu azul.

Seirei no Moribito (2007)

Seirei no Moribito, ou Guardiã do Espírito, acompanha Balsa, uma guerreira veterana especialista em lança que aceita a missão de proteger um jovem príncipe marcado para morrer, porque abriga dentro de si um espírito misterioso. Já parte quebrando o padrão: a protagonista é uma mulher madura, forte, cansada, com um passado de culpa, e não uma adolescente.

A animação, produzida pelo estúdio Production I.G, é elogiada pelo cuidado com o mundo, com a cultura e com as cenas de ação, um capricho que muitos comparam ao dos filmes do Studio Ghibli. A relação que se constrói entre a protetora e o menino costuma ser apontada como o centro da série. É uma fantasia adulta sobre dever, proteção e o preço de carregar a vida de outra pessoa nas costas.



Pode-se perceber que quase nenhuma dessas obras tem traço comercial. Várias são feias, fofas ou lentas de propósito, e é por causa dessas escolhas ousadas que muitas passaram batido, enquanto produções mais seguras e mais vendáveis ocuparam o centro das atenções.

Mas é justamente nessa camada que costuma morar boa parte da coragem artística do meio, é nesses títulos que os criadores puderam arriscar, experimentar, contar histórias que um grande estúdio comercial talvez nunca deixasse passar.


Agora me conta: qual anime subestimado você defende com unhas e dentes? Aquele que você recomenda para todo mundo e ninguém nunca assistiu?


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