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Rebeldia e resistência: os gêneros punk da ficção científica

  • Foto do escritor: cassianimotta
    cassianimotta
  • 25 de mar. de 2025
  • 5 min de leitura

Você já deve ter ouvido falar de steampunk e cyberpunk, mas, além destes, existem muitos outros subgêneros da ficção científica com diferentes estéticas e abordagens. Todos têm em comum a abordagem crítica ao sistema que explora pessoas e o meio ambiente.

Cyberpunk, steampunk, dieselpunk e solarpunk

Para ter uma visão do que são esses subgêneros, é bom pensar primeiro no conceito de retrofuturismo, uma ideia que mistura passado e futuro, diferentes épocas. Algumas vezes com uma aparência otimista, outras, com muitos problemas. Isso depende da criatividade de quem conta a história. Tendo essa noção, podemos entender o motivo dessas histórias serem tão cativantes, é preciso habilidade para fazer essas conexões de forma verossímil.

Para conhecer algumas dessas vertentes da ficção científica, conheça a lista dos meus favoritos:


Cyberpunk: high tech, low life

Cena de Ghost In The Shell: O Fantasma do Amanhã. Uma história cyberpunk
Em Ghost In The Shell, o mundo, se tornou um local altamente informatizado, a ponto dos seres humanos poderem acessar extensas redes de informações com seu ciber-cérebros.

O cyberpunk tem suas raízes com o livro Neuromancer, de William Gibson, na década de 1980. Nesse cenário distópico, são comuns os implantes neurais, as alterações corporais com alta tecnologia e as cidades decadentes. 


As histórias cyberpunk geralmente têm um protagonista com ideais fortes, mas ele mesmo não costuma ser ingênuo, muitas vezes tomando decisões questionáveis para alcançar seus objetivos na luta contra grandes corporações. Os antagonistas, organizações ou pessoas multimilionárias exploram as pessoas comuns, espalhando drogas e controlando bordeis. As ruas dessas cidades são enfumaçadas e as luzes neon brilham em meio ao escuro dos becos, vivendo assim, muitos habitantes buscam refúgio em opioides ou em realidades virtuais. Como acontece em Blade Runner e Matrix, dois filmes lançados em épocas diferentes, mas que abordam essa temática de forma magnética.


Steampunk: o passado reimaginado com tecnologia a vapor

Steam é traduzido como vapor e este pode ser considerado um subgênero do cyberpunk.

Sua definição surge em 1990, mas retoma obras clássicas como as de Julio Verne, H.G. Wells e Mary Shelley. Observe que, para essas obras, não foi o passado reimaginado, mas uma descrição do presente deles com tecnologias desconhecidas para a época.


Nessas histórias somos transportados para uma era vitoriana que se funde com tecnologias avançadas movidas a vapor e reinterpretam o passado, criando uma realidade onde inovações tecnológicas coexistem com a estética e valores do século XIX. As cidades, de forma semelhante ao cyberpunk, são cheias de fumaça e fuligem, as pessoas comuns são exploradas em minas de carvão e no trabalho com ferrovias, enquanto outro grupo social vive no glamour das elites vitorianas. Às vezes encontramos até mesmo magia, ou alquimia, nessas criações.


O steampunk é tão popular, especialmente por sua estética, que muitos grupos organizam encontros para experienciar esse universo, vestindo-se conforme as representações desse período imaginário. 


Filme Steamboy, do mesmo diretor de Akira, é um exemplo de steampunk
Em Steamboy, o neto de um cientista herda do avô uma poderosa arma. O menino descobre que pessoas inescrupulosas estão atrás da invenção e terá que lutar para proteger os seus poderes.

Como exemplos, podemos citar filmes como Steamboy, Atlantis e a série Arcane. Nos livros de A Bússola de Ouro essa estética está bastante presente e fica ainda mais visível nos filmes. E aqui nas recomendações, aproveito para vender meu peixe, escrevi um conto steampunk que está disponível na Amazon, A Bailarina de Ferro, você pode ler aqui.


Dieselpunk: a era industrial em meio às guerras

HQ Rocketeer representa muito o que é o dieselpunk
Cliff encontra um jato propulsor e torna-se o herói Rocketeer

O dieselpunk traz a estética dos períodos de guerra, principalmente da Primeira e Segunda Guerras Mundiais, quando o diesel e o art déco transformaram o visual e o espírito de uma era. Este subgênero enfatiza o combustível como um elemento que é explorado à exaustão por organizações que não têm escrúpulos. Pode ser comparado ao steampunk, mas acontece em outra época e mescla a dureza do conflito com a nostalgia e rebeldia. 


Nesses ambientes observamos um clima escuro, visuais que lembram filmes noir, com zepelins, propagandas de guerra e cidades industriais. Podemos visualizar as décadas de 1920 a 1950 como os períodos que são descritos nessas histórias, imaginando como seriam estes anos com tecnologias muito avançadas.

Frase icônica de Porco Rosso, um filme dieselpunk
Porco Rosso: Transformado em uma espécie de porco humano, um piloto tenta salvar vítimas de piratas.

A definição de dieselpunk foi usada pela primeira vez em 2001, por Lewis Pollak em seu RPG Children of the Sun. Nos anos seguintes, a ideia foi se desenvolvendo para abarcar outras formas de arte dentro da ficção científica, até mesmo rotulando obras anteriores como o quadrinho Rocketeer, de 1982, e o famoso Porco Rosso, filme de 1992 do Studio Ghibli. Para quem gosta de jogos, Wolfenstein - The New Order é um exemplo de dieselpunk.


Solarpunk: utopia sustentável e energia renovável

Cena de Nausicaä do Vale do Vento, tem elementos solarpunk
Em um futuro distante, o planeta foi dominado por plantas e insetos gigantes. A princesa Nausicaä, a soberana de um pequeno reino, tenta salvar o seu povo e impedir que duas nações entrem em guerra e se destruam.

Diferente dos subgêneros mencionados anteriormente, com o solarpunk temos uma visão de futuro mais otimista, imaginando um tempo quando tecnologia e natureza coexistem de forma sustentável, celebrando a possibilidade de um mundo baseado em energia limpa e comunidades colaborativas. Podemos entender o solarpunk e o cyberpunk como uma bifurcação para o nosso futuro, uma utopia ou uma distopia, um mundo saudável ou decadente.


Reconhecido como um movimento iniciado no Brasil através da literatura, sua estética apresenta paisagens urbanas muito limpas e repletas de verde, arquitetura ecológica e um design futurista, tudo isso inspirando esperança em um futuro com as florestas recuperadas e qualidade de vida. 


Como ficção especulativa, o solarpunk tem influenciado grupos que se movimentam em busca de alternativas sustentáveis de consumo, construindo ecovilas e pesquisando energias renováveis e formas de reconstruir os danos já causados no planeta. 


Livro brasileiro é considerado a origem do solarpunk
Solarpunk: histórias ecológicas e fantásticas em um mundo sustentável  (2012)

Em 2008 o blog Republic of the Bees publicou um texto sobre a ideia do solarpunk, como um gênero inspirado no steampunk. Em 2012, aqui no Brasil, a antologia Solarpunk: histórias ecológicas e fantásticas em um mundo sustentável é considerado o marco inicial e dois anos depois Miss Olivia Louise, no Tumblr, definiu detalhes da estética steampunk, o que influenciou diretamente na escrita de um primeiro manifesto solarpunk por Adam Flynn.

Os filmes Pantera Negra trazem elementos solarpunk, relacionando, ainda, com o afrofuturismo, quando pensamos em Wakanda. Outro exemplo pode ser Nausicaä do Vale do Vento, filme do Studio Ghibli.

O solarpunk desafia a humanidade a pensar formas de ser melhor, se enxergando como parte da natureza, se rebelando contra o colonialismo e construindo uma sociedade pós-capitalista.



Independente da estética, estas obras abordam temas essenciais de discussão sobre a sobrevivência da humanidade e relações humanas. Escolha o seu favorito e entenda porquê tantas pessoas se encantam pelas diferentes ambientações da ficção científica. 


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