top of page

Superman: o retorno do herói

  • Foto do escritor: cassianimotta
    cassianimotta
  • 12 de jul. de 2025
  • 8 min de leitura

O herói mais popular de todos, o personagem que inaugurou todo um gênero de quadrinhos, amado por alguns e odiado por outros, mas sempre reconhecido como um ícone: Superman. O contraste entre sua super força e sua boa vontade em ajudar os seres humanos sempre encantou multidões.

Superman
David Corensweet interpreta Superman, no filme que estreou dia 10 de julho nos cinemas (Imagem: DC/Warner)

Quando foi adaptado para as telas, vários atores tiveram a honra de vestir a capa, mas nenhum se destacou tanto quanto Christopher Reeve, o que faz com que interpretar o Super seja um desafio, já que as comparações sempre surgem. 


Nos quadrinhos, o herói passou por muitas fases, mas sempre mantendo seus ideais de justiça, cuidando dos mais fracos. 


No dia 10 de julho pude assistir essa interpretação do herói que eu tanto gosto. Um herói bom, humano, gentil. E isso me encantou.


Preciso admitir que sou uma pessoa que se diverte facilmente com filmes, mas não me emociono com a mesma frequência, mas durante aquelas 2h10 eu chorei várias vezes na sala de cinema. Ri, também e senti meu coração aquecido pela esperança que o Superman interpretado por David Corensweet consegue expressar.


Começando pela caracterização, tudo estava impecável, sabe aquela coisa ridícula dos quadrinhos? Então… Guy Gardner (Nathan Fillion) com o cabelo tigelinha já seria cômico só de aparecer na cena. Skyler Gisondo parece ter nascido para o papel de Jimmy Olsen, sua aparência física parece ter inspirado o desenho do personagem nos quadrinhos. Já o Sr. Incrível me encantou desde que o vi nos trailers, os detalhes na sua roupa, maquiagem e tudo que acompanha são perfeitos exemplos do que esperamos ver nos cinemas: fidelidade.


As paletas de cores de cada personagem estão sempre presentes, Jimmy e seus tons de verde, Lois Lane e suas variações de roxo, por exemplo. Também preciso mencionar Perry White e seu charuto eterno que o acompanha, pendurado em sua boca, em todo momento.


Krypto foi inspirado no cachorro de James Gunn
Krypto, à esquerda e James Gunn com Ozu, à direita

E o Krypto? Sim, eu também visualizava o supercão sendo um labrador branco, mas logo que saíram as primeiras imagens dele como “fiapo de manga”, junto com a história delicada de ser inspirado no cachorro Ozu, o pet adotado pelo diretor, não questionei mais nada. Até porque em muitas fases, Krypto tinha essa aparência nos quadrinhos.


Sobre o uniforme do Superman, há controvérsias quanto ao uso da polêmica cueca, mas, pessoalmente, isso é um toque especial. Historicamente, os wrestlers, fisiculturistas e outros artistas que demonstram sua força usam esse tipo de vestimenta, uma cuequinha (já viu WWE?), e isso inspirou os criadores do herói a adicionarem a peça ao seu vestuário. Então não é só uma escolha estética, mas que trabalha especificamente na questão nostálgica, também reforçando que há uma nova era do herói nos cinemas. 


O núcleo completo do Planeta Diário está presente, mesmo que alguns não sejam essenciais para o desenrolar da história, todos são partes importantes no trabalho jornalístico e também para envolver quem assiste no universo do Clark Kent.

Clark Kent
Segundo Guy Gardner, os óculos do Clark Kent são hipnóticos, atrapalhando no reconhecimento (Imagem: DC/Warner)

E, falando no Clark, a habilidade do ator de transitar entre Superman e Clark Kent, alterando sua postura e tom de voz é algo marcante. Facilita o processo do espectador em acreditar que as pessoas realmente não conseguem reconhecê-lo no seu cotidiano. 


Para falar desse filme, quero destacar alguns momentos muito marcantes para mim.


SPOILERS A SEGUIR

Superman
Superman retorna como símbolo de esperança (Imagem: DC/Warner)

A história se inicia com um Superman caído, ferido, aquele que vimos nos trailers, chamando pela ajuda do Krypto. Ali já temos um vislumbre do que nos espera, um herói sensível, que mesmo em seus momentos mais delicados, não mede esforços para retornar às batalhas e proteger os cidadãos da terra. As cenas tocantes são muitas e ver um humano comum tentando auxiliar o herói a se levantar no meio da rua demonstra que as pessoas têm capacidade de amar e serem inspirados.


Lex Luthor
Lex Luthor é astuto, egoísta e raivoso (Imagem: DC/Warner)

Lex Luthor, magistralmente interpretado por Nicholas Hoult, é o grande vilão da vez. Egoísta, manipulador e muito inteligente, ele não mede esforços para destruir a reputação do herói e sabe usar todas as ferramentas disponíveis, especialmente a mídia. A grande jogada é descobrir, mais tarde, como tudo funciona. Lex sabe que influenciar as pessoas a odiarem o Superman pode ser mais eficiente do que simplesmente brigar com ele toda hora. Os discursos de medo contra o alienígena super poderoso tomam as redes sociais e mesmo com as muitas tentativas do herói para proteger pessoas, as coisas só parecem piorar.


As discussões dos governos dos Estados Unidos e da Borávia, parceiros comerciais, são um problema importante na história, já que o Superman quer evitar a todo custo que a Borávia invada a região de Jarahmpur, matando pessoas inocentes. Essa também é a pauta de uma discussão entre Clark e Lois, o que é mais importante: respeitar autoridades políticas ou salvar vidas? Quando ele perde a compostura, “pessoas iam morrer”, grita. Não é contra a Lois, ele não está irritado com ela, ele está frustrado, indignado por estar sendo perseguido por proteger pessoas. Clark não consegue visualizar a possibilidade de uma vida humana ser menos importante que acordos comerciais e ordens de governantes. 


E Lex sabe de tudo isso muito bem, tentando usar a bondade do herói contra ele mesmo.


Enquanto o herói é acusado de ser um colonizador kryptoniano e preso, tudo por causa de uma mensagem enviada por seus pais biológicos, os jornalistas do Planeta Diário seguem procurando informações que podem mudar isso. Perry White, que não perde uma oportunidade de ter um furo para a capa, fica feliz em saber sobre os planos sinistros de Luthor. Lois Lane dita sua matéria para Jimmy Olsen, revelando os segredos da manipulação.

Superman e Lois Lane
Rachel Brosnahan e David Corensweet como Lois Lane e Supeman (Imagem: DC/Warner)

Lois Lane é digna do seu reconhecimento como grande jornalista, ela investiga, não tem medo do fim do mundo, ela está lá procurando a verdade.


Superman ao se entregar para o Pentágono, estava interessado em saber onde estava Krypto. E o encontra, nas instalações secretas de Luthor: um universo compacto organizado para ser uma prisão e laboratório secretos. Lá, o vilão tem todo um sistema que usa macacos para espalhar falsas notícias sobre o que lhe interessa, cientistas com experimentos que desrespeitam todos os direitos possíveis e uma prisão na qual ele mantém pessoas que desafiaram governos, ex-namoradas e metahumanos que podem ser úteis em suas maquinações.


É interessante lembrar que em Guardiões da Galáxia 3, meu filme favorito da Marvel, James Gunn também abordou o tema dos experimentos em animais.


Superman luta para sobreviver enquanto Metamorfo sustenta kryptonita em suas mãos, ele consegue convencer o metahumano que é capaz de salvar seu filho. Assim, Metamorfo se transforma em uma espécie de sol, fortalecendo o herói. Com a ajuda de Lois Lane e Sr. Incrível, os quatro prisioneiros, incluindo Krypto, conseguem fugir.


O boato é que a mensagem enviada pelos kryptonianos para o seu filho, recomenda que ele proteja a terra e a governe. Técnicos especializados dizem que a mensagem é real, e, incomodado com isso, o protagonista questiona suas origens.


A convalescência do Superman na fazenda é um momento tão lindo e bem construído. Ali ele não é o super-herói amado e temido pelas pessoas que ele desconhece, mas é o filho amado de Martha e Jonathan Kent. Ver o pai dele com lágrimas nos olhos, preocupado com o filho reforça a humanidade do protagonista, podemos observar de onde veio essa preocupação pelas pessoas. Quando Jonathan conversa com Clark, temos uma sequência de conselhos delicados sobre entender quem somos, as crenças das pessoas e o passado não nos definem, mas sim nossas ações.

Jonathan Kent e Clark Kent
A relação da família Kent dá a base para as ações gentis do herói. (Imagem: DC/Warner)

A partir disso, temos uma virada. Superman sabe que tem uma missão ali, independente do que esperavam, ele se mantém firme na posição de usar seus poderes para a esperança.


Destaco a fotografia de Henry Braham, que também trabalhou em O Esquadrão Suicida. A luz que se projeta atrás do herói, iluminando de forma cálida a sua capa é um colírio para os olhos do espectador. Entre tantas cenas lindas, quando olhamos para a queda de um prédio e o salvamento de uma mulher em seu carro, logo em seguida acompanhamos a silhueta do Superman que se ergue nas alturas e fica mais nítida enquanto a poeira se dissipa… Não é preciso palavras ou explicações, está ali, o ser mais poderoso da terra se preocupando em servir os humanos.


Um dos momentos que fizeram meus olhos marejarem é aquele que vimos em um teaser. Um menino na guerra levanta sua bandeira e pede pelo apoio do Superman. As pessoas se unem em um coro pedindo seu auxílio. Ele é o único que demonstrou se importar, enquanto outros se preocupavam com burocracias e relações internacionais. Aquelas pessoas acreditavam no herói.


As sequências de luta também são muito bonitas, afastando a ideia do Superman bobão, afinal, ele é o mesmo personagem que sabe falar vários idiomas e é muito inteligente. Ele pensa no que pode acontecer e busca soluções além da força bruta quando necessário. 


Nos momentos finais, depois de ter salvo o planeta da fissura que se abriu devido à ciência antiética de Luthor, Superman retorna à Fortaleza da Solidão. A mensagem que o acalma, desta vez, é de seus pais terráqueos, com quem ele encontrou o amor e aprendeu a amar as pessoas.


Supergirl
Milly Alcock como Supergirl (Imagem: DC/Warner)

Temos uma breve aparição da sua prima, Supergirl, já indicando o que vamos esperar no seu filme. Milly Alcock promete ser uma ótima Supergirl e, nos minutos que esteve em cena, já se pode ver que a proposta realmente é seguir a história de Mulher do Amanhã. Uma Supergirl mais estressada, rebelde, como ela sempre foi nos quadrinhos.


Outro ponto de destaque é a narrativa otimizada sobre eventos passados. Não há flashbacks, todos sabemos a origem do herói, assim, em alguns momentos os personagens comentam sobre como ele chegou a terra, mas sem perder tempo em algo que já é conhecido. 


São muitos personagens na mesma história, mas acredito que quem é fã consegue se divertir reconhecendo e teorizando sobre cada um. Li em algum lugar uma pessoa falando que o filme lembra uma HQ mensal, tu abre e já está no meio da história e tu vai se envolvendo pra entender tudo. Eu concordo e considero isso como algo positivo. 


Gostei muito do filme. É uma história leve e ao mesmo tempo tem reflexões importantes sobre o valor da vida humana, a manipulação da mídia, bilionários usando seu dinheiro para brincar com a ciência em favor de seus próprios propósitos, o financiamento de guerras e quem lucra com esses conflitos… A bondade humana, pessoas que são capazes de se unir e lutar pelo que é justo…


Pessoa ajudando Superman
Os cidadãos de Metrópolis são mais do que figurantes, elas fazem parte da vida do Superman (Imagem: DC/Warner)

Há tanto que eu gostaria de falar sobre esse filme, mas não quero que este texto se torne uma monografia, então reforço que é uma alegria para mim, ver o Superman de volta. Cartunesco, heróico, alegre e sensível, junto com tantos amigos que, sendo humanos, também não medem esforços para ajudá-lo. 


Em Superman, temos um sopro de beleza e esperança em momentos sombrios. Alguém que luta pela verdade, justiça e um melhor amanhã.


 
 
 

Comentários


bottom of page