Redes sociais e leitura: como conciliar?
- cassianimotta

- 18 de jul. de 2025
- 3 min de leitura
Você já percebeu como é difícil mergulhar em um livro hoje em dia? Enquanto as redes sociais nos entregam informação instantânea, nosso tempo de concentração para leituras mais profundas está se tornando cada vez mais curto. Além do tempo, arriscamos perder a qualidade da nossa conexão com as histórias e o poder de reflexão.

As redes sociais nos bombardeiam com um formato que privilegia a informação rasa, imediata e emocional, em detrimento do pensamento crítico e concentrado. Afetando, assim, a capacidade de atenção dedicada às leituras longas. Ou seja: nosso tempo de leitura encurta porque nosso cérebro espera recompensas rápidas, sejam elas likes, notificações ou vídeos de 15 segundos.
Ler um livro não é apenas decifrar palavras, é atravessar narrativas, conectar ideias, refletir. Mas o celular nos condiciona à leitura fragmentada: pulos entre parágrafos, falta de concentração e memorização superficial. Nosso olhar acostumou-se a varrer o conteúdo rapidamente, sem tempo para imersão ou análise crítica. Esse tipo de exercício, sempre frequente, resulta em menos empatia, menos questionamento e menos capacidade de enxergar ideias complexas.
Estudos no Reino Unido e EUA revelam que metade dos jovens e quase 20% dos adultos nos EUA, não lê livros por prazer, enquanto o tempo em frente às telas aumenta constantemente desde 2004, deixando a leitura em segundo plano. (Fonte: PublishNews) No Brasil os dados são semelhantes, inclusive com estudos demonstrando que chegamos ao menor número de leitores dos últimos anos. Nas escolas, os estudantes têm mais dificuldade de manter foco por 15 minutos, por exemplo, já que seu cérebro está condicionado aos curtos períodos de atenção. (Fonte: G1)
Por outro lado, plataformas como o TikTok e Instagram conseguem reacender o interesse pela leitura. Em alguns casos, livros se esgotam nas livrarias graças ao alcance de criadores que incentivam a leitura e discussões literárias. Mas é importante saber que a leitura pelo ‘’hype’’ pode ser rápida, influenciada pelo consumismo, como acontece com a ‘’fast fashion’’. Não significa que ler livros famosos ou no seu lançamento é um problema, mas é interessante refletir sobre como essa leitura acontece, sem deixar de lado a imersão no contexto, fundo histórico e estilo das obras.
Nos meus momentos de leitura, tento aplicar algumas ideias. Mas cada pessoa pode ter formas diferentes para tentar se concentrar.
Espaço livre de telas: durante a leitura, procure um espaço afastado do seu celular, computador ou outra coisa que possa distrair.
Narrativas curtas: contos, poemas, crônicas e outros textos curtos podem contribuir com o gosto pela leitura de forma suave.
Técnica Pomodoro: ler por 25 minutos, pausa por 5 minutos. Um exemplo de tempo, você pode adaptar ao seu ritmo. Isso ajuda a leitura a não ser algo pesado, cansativo.
Tenha redes de leitura: siga outros leitores, compartilhe as suas histórias, participe de clubes de leitura. Essa troca de ideias é excelente para se envolver ainda mais no universo literário.
Sem notificações: limite as notificações do seu celular e, se possível, deixe no modo não perturbe.
As redes sociais não são inimigas da leitura, mas nossa forma de consumi-las pode transformar o prazer de um livro em um desafio profissional. Será que estamos abrindo mão de histórias densas, diversificadas e cheias de nuances porque preferimos uma recompensa rápida? Não temos uma fórmula para conciliar, mas é possível, conhecendo o valor de cada ferramenta e entendendo como lidar com isso em sua rotina individual.



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