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Silvestre: Imersão total em uma natureza selvagem

  • Foto do escritor: cassianimotta
    cassianimotta
  • 25 de fev. de 2025
  • 3 min de leitura

Silvestre desafia as normas textuais, foge do padrão de "quadrinhos fechados" e entrega uma experiência inesquecível. Leia a resenha e conheça essa história marcante.

Capa da história em quadrinho Silvestre, de Wagner Willian
Silvestre, de Wagner Willian

Gosto de Arte, gosto quando o artista gosta de fazer arte. Eu senti isso quando li Silvestre, de Wagner Willian. O livro, que foi premiado pelo Jabuti 2020 e Prêmio HQ Mix, tem uma abordagem diferenciada na narrativa, o leitor pode se perder nas reminiscências do velho caçador que mora em uma cabana na floresta. 


A história, em um resumo bastante simples, é sobre um homem viúvo que vive rodeado por árvores e animais, sobrevivendo com aquilo que a natureza produz. Junto com os seres que lá habitam somos atraídos pelo cheiro da torta que é colocada para assar. A narrativa é construída de forma muito tocante, todos os elementos presentes nas páginas fazem parte da história e, portanto, são essenciais para uma leitura imersiva. 


História em quadrinhos Silvestre, de Wagner Willian

Os elementos textuais são explorados sem medo, o texto em si muda conforme avançamos, inicialmente os relatos do caçador aparecem como anotações ou escritas com diferentes tipografias, incluindo trechos em caligrafia cursiva, as próprias palavras escritas representam aquilo que significam,  poesia visual, entre outras técnicas e experimentações que desafiam o leitor e, possivelmente, o próprio autor. 


Em certo momento, quando há o encontro com outros personagens, essas interações são representadas em balões de fala, o que demonstra justamente essa progressão de uma expressividade mais internalizada e individual para um contato com terceiros, o que ocorre de forma visceral.


Quanto às ilustrações, Wagner utilizou diversas ferramentas para apresentar uma obra que enche os olhos. Desde nanquim e tinta óleo, os quadros assimétricos, com muitas linhas e texturas, aproximam o leitor de uma natureza vibrante, selvagem, que retorna ao homem e não tem medo de cobrar a destruição que lhe causaram. A aparência caótica, à primeira vista, é um recurso muito bem organizado para cativar quem folheia as páginas, além de ser um elemento que não só reforça, mas faz parte de toda a narrativa.


Explorar a relação entre homem e natureza pode parecer um clichê contemporâneo, mas Wagner Willian faz isso de forma nada óbvia e com excelência criativa, sem subestimar a inteligência dos leitores. 

História em quadrinhos Silvestre, de Wagner Willian

Na minha primeira leitura, logo relacionei a história à forma como a figura feminina é historicamente desvalorizada, contrastando com a profunda conexão entre as mulheres e a Terra – um elo de cuidado e geração de vida desde tempos imemoriais. As divindades, os personagens folclóricos e as criaturas protetoras do verde, vindas das mais diversas culturas, se erguem para questionar o insaciável desejo de destruição do homem, especialmente quando confrontados com figuras que representam os colonizadores.  Acompanhar a interação entre estes personagens traz para a leitura aquele incômodo tão necessário.


Essa obra é uma experiência rara e transformadora, capaz de provocar reflexões intensas e discussões profundas sobre nossos valores e nossa relação com o mundo. Não é todo dia que nos deparamos com uma experiência de leitura como essa e por isso parece urgente falar sobre ela. Enquanto eu folheava suas páginas, cada detalhe despertava emoções e pensamentos que ainda ressoam em meu coração. Se você decidir se aventurar por essa leitura, tenho certeza de que também encontrará muitos motivos para se emocionar e repensar o nosso papel neste mundo.


E, por favor, compartilhe comigo.



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